Ele acordava todos dias a um quarto das seis horas da manhã, com rosto inchado, boca ácida, olhos cerrados, nariz de vez entupido e a sua audiçao sempre responsável para fazer seus outros sentidos intervir em seu quase consciente ativo que ele não estava só naquela cama. Levantava, ia se lavar, mas quando caminhava em suas direções rotineiras percebia nos cantos, nos meios, em sua casa, em sua vida, a bagunça dela, isso o irritava o suficiente para ter dez anos de sobrenome entre seu meio social de arrongante; tentava não ser, tentava no seu limite ser um homem simpático, mas não sabia como o ser, se essa cena pela manhã que tanto detestava se repetia. E em meios a tais detalhes que moldavam seu perfil pensava que se ao menos ela mantesse organizada (mesmo sabendo que aquela bagunça dasapareceria em minutos quando ela acordasse) não deixando aqueles pedaços dela pelo caminho, ele iria parar de notá-la aos poucos, e acabaria a esquecendo, era o que queria, não a organização e sim fazê-la passado em sua vida.
Ela acordava as sete da manhã, seu despertador a porta que era batida com força do pedaço dela que ia ao trabalho, quando o que ela queria é que fosse de sua vida; a dor latente de cabeça já aparecia com o barulho da porta e o abrir dos olhos... Longos dez anos sendo dispertada por três malditos sentidos; e em seus afazeres diários antes do trabalho estava arrumar algumas de suas preguiças do dia anterior largadas por ali e reparar na organização dele, cada detalhe, cada pedaço, cada ele estava ali, depositado em seus objetos milimetricamentes ordenados e a fazia não entender por que diabos aquele homem não se desfazia por aí, para ela olhar para seus cantos (cantos deles) e não notá-lo, assim a faria esquecê-lo aos poucos, não era a organização de que queria se livrar, sim dele.
Ele gostava de encontros internos, ela externos, ele fugiu de dentro para encontrá-la fora, no espaço dela, e o casamento não foi de estranho entender, a novidade a ela foi motivo de excitação a ele ocupação de uma vida escrita. Ele tinha desejos que a qualquer psicólogo barato seria taxado a um perfil como o dela, e vice-versa. Ele odiava perder um minuto de seu tempo, era metódico com o que lhe era fixo, mas deixava de lado a metodologia quando se tratava em gasta data sem ocupação, a frenesi que seria dela pertencia a ele. Já ela adoava fazer tudo sem marcações, sem taxações, ia fazendo, porém adorava momentos vagos, sem vozes, sem sons, sem imagens, momentos que ela nem a si via; e nesse romance isso foi unificador.
sábado, 4 de abril de 2009
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